Sexta-feira, Agosto 07, 2009

Para mudar o mundo, comece com um primeiro passo...

"Professor, o senhor trabalha ou só dá aula?". Acho que já ouvi essa pergunta infame uma dezena de vezes nos últimos anos. A primeira foi há alguns anos, conversando com alguns alunos na saída da universidade. Eu poderia soltar a uma resposta padrão, que desfiava um rosário imenso sobre as atividades do professor fora da universidade. Porém, ao invés disso, comecei a pensar por trás da atividade de docente, e o que realmente encontrei foi um baú com o qual não esperava tropeçar. Pelo menos não naquela época.

Eu entrei na docência quase que por acaso: um convite em 2005 para lecionar Produção de Textos para alunos de primeiro e segundo grau. No começo, eu realmente encarei a tarefa como um emprego, uma fonte de renda extra. Meu primeiro erro. Com o passar das aulas, senti na pele o clássico pensamento de Cora Coralina: “feliz é o professor que aprende ensinando". Não uso de falsa modéstia ao dizer que aprendi coisas que nem sonhava, simplesmente preparando as aulas e os temas dos meus alunos.

Não demorou até que surgisse o convite para encarar a docência de nível superior. "Eu, professor de Direito?". A hipótese nunca passara na minha cabeça durante meus anos de academia. Quando estudante, eu pensava apenas em formar, emendar uma especialização, e encarar concursos ou a advocacia. Resolvi aceitar o convite, afinal, seria uma oportunidade de estudar, não é?

Pois é. O que eu não esperava era encontrar aquele bauzinho que citei ali em cima. Uma Caixa de Pandora às avessas. Não existe muito o que dramatizar ou florear: abrindo esse baú descobri algo que não sonhava que ia encontrar em mim, o amor pela docência. Dar aulas começou a representar mais que um trabalho, e muito mais que uma oportunidade de aprender com isso.

Soa piegas, mas realmente não dou a mínima: a idéia de poder representar a diferença para melhor na vida de uma pessoa, e fazer parte de uma lembrança boa para alguém é algo extremamente gratificante - e olha que isso nem é o mais importante, já que muitas vezes o reconhecimento não vem com a atividade. As amizades que ficam, essas sim valem seu peso em ouro. Além disso, uma verdade revela-se aos olhos de quem se torna professor: a responsabilidade que assumimos é inexorável. Somos diretamente responsáveis pela formação de futuros profissionais e cidadãos, ou seja, temos um dever moral não só de transmitir o conhecimento técnico que carregamos, mas também o de orientar aqueles que procurarem por uma força, um apoio, o que for. Eu realmente acredito nisso, e abraço todos os dias essa responsabilidade. Sei que é megalomania achar que é possível mudar o mundo desse jeito, mas se podemos fazer algo de bom, um pouco de cada vez, por que não fazer?

Hoje, ser professor é uma grande paixão, e realmente não me vejo parando tão cedo - mesmo que o destino me reserve um bom concurso, ou que a advocacia continue firme e forte na minha vida. Tive grandes mestres na minha formação, pessoas nas quais espelhei o meu agir como docente, e que hoje tenho a honra e alegria de ser, por eles, tratado como um colega. Ainda assim, foram e sempre serão meus professores, meus mestres, pessoas para as quais dedico meu respeito e minha admiração. Sei que cheguei com minhas pernas, há quem diga que não devo nada a ninguém. Não sei se posso crer nisso. Devo sim à minha família, amigos, e a esses professores, que no meu tempo, respeitaram o sacerdócio que representa a docência e deram o seu melhor. Em respeito a todos eles, me vejo na obrigação de fazer o MEU melhor, e não decepcioná-los.

--- "You Might Die Trying" (Dave Matthews Band)

2 comentários:

O Mestre ganhou homenagem lá no Ninja no ENEM. Já sabe, né?
http://enem.linkninja.com.br/

Eu fico feliz pra caramba com a homenagem, muito obrigado!

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