Segunda-feira, Junho 13, 2011

Não sei o que o amanhã trará: 123 anos de Fernando Pessoa

Nascido em 13 de junho de 1888, Fernando Pessoa é de longe um dos maiores autores de língua portuguesa que já tivemos a alegria de conhecer. Fato engraçado, pois muitos dizem adorar a sua obra, havendo apenas alguns poucos que de fato a conhecem.

Autor de poemas como "Autopsicografia", o que mais me chamou a atenção em Fernando Pessoa - e que o tornou um dos meus autores favoritos - foi o fato de ter sido um dos primeiros que soube adotar diferentes nomes para sua obra, heterônimos, cada um representando uma faceta singular de sua persona, valores e ideais. Isso não era novidade na literatura, mas como disse, foi o primeiro que vi agir assim, e achei aquilo no começo estranho - queria ele esconder alguma coisa? Não. Pelo contrário, era a forma como ele melhor lidava com os turbilhões da própria alma.

Você provavelmente já leu algo dele, sem nem saber que o fez. Além de assinar com seu nome, Fernando Pessoa também assinava sua obra como Álvaro de Campos, Ricardo Reis e Alberto Caeiro. Mais tarde, assumiu ainda a alcunha de Bernardo Soares, nome pelo qual publicou a obra "Livro do Desassossego". Os nomes, como dissemos, tinham uma razão: Álvaro de Campos tinha uma personalidade mais áspera, crítica, muitas vezes negando valores sociais e religiosos em suas obras, como "Tabacaria"; Ricardo Reis já representava um estilo mais clássico, simbolista, tendo como temático constante a inexorabilidade do fim de todas as coisas; já Alberto Caeiro representava uma parte do misticismo da obra de Pessoa: todas as personas do autor escreviam em prosa, exceto ele. Para Caeiro, a poesia era a única forma capaz de retratar a realidade.

Interessante ressaltar que a construção dessas personalidades era de tal complexidade que cada qual tinha uma biografia a parte, narrando seus nascimentos, falecimentos, profissões, onde viviam, razão pela qual muita gente que não conhece a vida de Fernando Pessoa é levada a crer que tratavam-se de pessoas reais. Uma trollagem literária digna de entrar nos anais da literatura brasileira.

Fernando Pessoa faleceu em 30 de novembro de 1935, em Lisboa, aos 47 anos de idade, vítima de uma pancreatite aguda. Em seu leito de morte, registra a sua epígrafe em inglês, língua na qual fora educado: "I know not what tomorrow will bring". Saía da vida para gozar da imortalidade, vez que seu espírito vive ainda hoje em suas obras.

Quem não conhece a poesia de Fernando Pessoa, procure conhecê-la. Vale a pena. Afinal, tudo vale "se a alma não for pequena", certo?

--- "Oração" (A Banda Mais Bonita da Cidade)

0 comentários: